Publicado por: Ana Maria Nogueira Rezende | 13/02/2018

Um pouco do contexto estradeiro do século XVIII presente na dissertação: Fluxos globais no século XVIII: a produção do modus vivendi e operandi no entorno da Estrada Real Picada de Goiás

A Picada de Goiás –Estrada oficial autorizada em 08 de Maio de 1736 pelo Conde de Bobadela ( reprodução de Ana Maria Nogueira Rezende na dissertação citada)

No dia 31 de março de 2017, foi a Banca da apresentação da minha dissertação que foi desenvolvida durante o Mestrado em Ambiente Construído e Patrimônio Sustentável, da Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais- UFMG. Os membros da Banca foram Flávio Carsalade (Arquiteto- Escola de Arquitetura), Leandro Cardoso (Geógrafo- Escola de Engenharia ) e Maria Luiza de Almeida Cunha Castro ( Orientadora-Escola de Arquitetura).

O dia começou com um sentimento histórico daquilo que não vivi e remetia ao ano de 1964.   Ao adentrar na Escola de Arquitetura, não era um dia comum, alunos paralisados e salas fechadas- o assunto era a extirpação dos direitos da previdência social pelo governo atual.  A única palavra que ouvi foi  o nome da montadora de automóveis “Volkswagen”. E isso ficou gravado no meu subconsciente até atravessar a entrada do prédio e conseguir falar com o porteiro! E veio a notícia fatídica- a chave da sala não estava disponível e a secretaria encontrava-se fechada!

O socorro chegou com a orientadora, que como um passe de mágica, pegou a chave e nos acalmou! Nesta hora já estava conversando com o professor Leandro!

A apresentação transcorreu quase que calmamente, senão fossem os batedores de bumbo passeando nos corredores das salas de aula.

Depois algumas centenas de páginas escritas, não era um dia fatídico que  tiraria o foco do trabalho realizado.

Argumentações realizadas, mais trabalho e correções que se fizeram necessárias pelas interferências dos membros da banca.  Crescimento e aprofundamento do conhecimento que agregou valor ao trabalho!

O agradecimento é mais que necessário- quando desejamos algo e fazemos com carinho e dedicação – a realização do objetivo se concretiza. E, assim, foi um desafio, que valeu à pena- falar da Picada de Goiás, um caminho que também foi um descaminho, que ligava São João del-Rei (MG) a Cidade de Goiás, também conhecida como Goiás Velho (GO), com seus caminhos do entorno e foi elevada a estrada real no século XVIII (1736)-  importante via para a interiorização do Brasil, passando  pela sertão oeste de Minas.

O modus vivendi e operandi das estradas do período setecentista foi esmiuçado por meio dos cinco fluxos apresentados em superposição pelo sociólogo Arjun Appadurai (2004): pessoas, ideias, tecnologia, dinheiro, imagens e ideias. Os fluxos geraram paisagens correspondentes: Etnopaisagens; Tecnopaisagens Financiopaisagens, Mediapaisagens e Ideopaisagens.  Para analisar a Picada de Goiás,  dentro dos fluxos propostos por Appadurai (2004), foi necessária uma adaptação das Mediapaisagens, substituída pelas “Paisagens da Informação.”

Não se fala de estradas, sem mencionar a importância das mercadorias e bens que trafegam pelas vias estradeiras. Daí a  criação de um sexto fluxo, o “fluxo das mercadorias e dos bens”.  Portanto este sexto fluxo foi analisado com intuito de mostrar sua relação e também investigar os demais fluxos.

O século XVIII, embora se mostre longe da nossa realidade temporal, encontra-se mais presente do que é imaginável no universo estradeiro da atualidade. Basta uma leitura despretensiosa de alguns fatos apresentados na  dissertação e resumidos abaixo:

Cobranças de direitos de entrada, “os pedágios”,  que já aconteciam neste período;

  • A concessão de estradas para terceiros, que, com objetivo de cuidar das vias ganhavam porções de terras, chamadas de sesmarias;
  • Evasão de divisas para burlar o sistema de pagamentos de impostos de Minas Gerais que era um dos mais caros do Brasil, no século XVIII;
  • Roubo de Cargas realizados por bandoleiros que se refugiavam nas estradas;
  • As notícias e correspondências que tinham como único acesso as estradas;
  • O revezamento de condutores de mercadorias e correspondências que contavam com a parceria pública, no caso realizado pelos estafetas- soldados reais e escravos de confiança para a função.
  • As estradas prometidas e não construídas como que ligaria São Paulo a Goiás, passando pelo sudoeste e  noroeste mineiro.  O projeto de Tosi Colombina  (engenheiro e cartógrafo militar) não saiu do papel.
  • Os recortes dos caminhos do passado são partes de nossas estradas estaduais e federais atuais.

Para saber mais só lendo a dissertação completa que  se encontra publicada no site da Biblioteca Digital da UFMG, no seguinte endereço: http://www.bibliotecadigital.ufmg.br/dspace/handle/1843/MMMD-AUXEW3 

Texto de: Ana Maria Nogueira Rezende – Historiadora e Mestre em Ambiente Construído e Patrimônio Sustentável


Responses

  1. […] estradas reais que ligavam minas e permitiam explorar e escoar o ouro dos sertões. Abaixo mapa da picada de Goiás. […]


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